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Análise "manual" pode ser tão eficiente quanto BI? PDF Imprimir E-mail
Por Lilian Cunha   
31 de julho de 2008

Orlando Pavani Jr, CEO da Gauss Consulting
Orlando Pavani Jr, CEO da Gauss Consulting

Em entrevista ao Portal Meta-Análise, Orlando Pavani Jr, CEO da Gauss Consulting afirma que é possível se beneficiar da análise estatística das informações sem investir em tecnologia.

Um levantamento apresentado pelo Hackett Group, firma de consultoria e benchmarking, no Cognos Finance Forum 2008, mostrou que muitas empresas denominadas de alto desempenho têm conseguido reduzir custos com BI e outras ferramentas tecnológicas ao mesmo tempo em que aumentam a eficiência e a previsibilidade nos negócios. Tudo isso através do planejamento de longo prazo, das análises minuciosas, da definição de metas e do foco na gestão orçamentária, principais diretrizes das equipes financeiras dessas companhias.

Para entender o fenômeno, o Portal Meta-Análise conversou com Orlando Pavani Jr, CEO da Gauss Consulting, empresa que desenvolve gestão para banco de dados, não priorizando a tecnologia em si para a geração de retornos, mas sim a análise estatística das informações com base na performance de resultados. Confira a entrevista:

Meta-Análise: Como é possível obter análises estatísticas sem utilizar ferramentas de BI?
Orlando Pavani Jr: Conhecida como Inteligência da Informação (II), essa já é uma tendência mundial em gestão de dados, que combina dados de uma forma pitoresca, gerando uma combinação informacional com os dados que a empresa tem e nunca viu. Dessa forma é possível orientar o CEO das empresas a tomarem decisões baseadas em fatos científicos e não empíricos.
Na Gauss Consulting temos uma equipe formada por matemáticos, estatísticos e até alguns administradores que fazem, com base nas informações contidas no ERP e no CRM do cliente, profundas análises estatísticas, através do cruzamento “manual” de dados. Quando digo que os relatórios são manuais quero dizer que não são usadas ferramentas de BI, mas Excel e SPSS.

MA: Além do preço, que deve ser mais acessível, qual o benefício dessa solução ante ao BI convencional?
OPJ: De fato o valor é um grande diferencial de nosso serviço. Para se ter uma idéia, com o valor gasto por uma empresa na implementação de um software de BI, seria possível contratar nossa consultoria por três anos. Essa diferença nos torna competitivos principalmente entre as pequenas e médias empresas, que desejam ter um solução inteligente mas não podem pagar por uma ferramenta de BI e acabam tomando decisões baseadas na intuição. Além disso, como nosso processo é analítico e feito por pessoas, ele é flexível, nos permitindo cruzar dados aparentemente sem relação, o que nos leva a apontar informações úteis e pitorescas que o próprio cliente desconhecia. Dessa forma, podemos ajudar o cliente a formular as perguntas que de fato contribuirão na tomada de decisão, ao contrário do BI, que é estático e se limita a responder perguntas óbvias, através da geração de relatórios.

MA: Mas essa análise estatística pode ser utilizada também por empresas que têm BI?
OPJ: Claro. O que ocorre nesses casos é que as análises apresentadas por nós e os relatórios gerados pelo BI são utilizados por diferentes áreas ou com diferentes motivações. Para você ter uma idéia, temos como nosso maior cliente a Unilever, para a qual desenvolvemos projetos com essa análise minuciosa das informações para o departamento de CRM. Apesar de possuir um dos maiores BIs do mundo, a Unilever obteve altas modificações no processo de relacionamento com o cliente graças à nossa consultoria.

MA: A demanda por este tipo de análise de informações tem aumentado?
OPJ: Somos uma empresa brasileira com 18 anos de mercado. Temos quatro divisões, sendo uma delas, que tem 6 anos de vida, a responsável pela análise das informações. Durante este tempo, cada vez mais clientes, em geral empresas decepcionadas com o BI, têm nos procurado.

MA: O que causa essa decepção com o BI?
OPJ: Um dos principais causadores dessa decepção é o mal uso da ferramenta, causada pelo próprio comportamento de muitos empresários ou executivos brasileiros, que preferem tomar decisões com base em opiniões de amigos e na própria intuição ao invés de analisar os relatórios gerados pelo BI.

Nos casos em que os gestores são conscientes e querem conhecer profundamente o desempenho da própria empresa para assim tomar decisões mais eficientes, muitos encontram limitações nas ferramentas de BI. É comum que após cerca de três anos utilizando o BI, os executivos percebam que, ao contrário do que haviam imaginado, a ferramenta não é a solução para todos os problemas da empresa. Isso porque a grande maioria dos dados necessários à tomada de decisão não são agrupados nas ferramentas de BI, que são limitadas e logo ficam ultrapassadas. Um exemplo prático disso é a temperatura do caminhão de frigorífico. Não há lugar nenhum no BI para essa informação, que é vital para a logística da empresa, pois a partir desse dado é possível escolher qual o caminho mais adequado para a entrega das carnes, baseando-se na perda de frio durante o percurso.

Acho que o BI deveria mudar completamente o seu conceito, que é responder uma pergunta através da geração de relatórios. Ao invés disso, a ferramenta deveria ser capaz de antecipar as tendências e necessidades das empresas, ajudando a formular as perguntas.

 


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