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Aliança estratégica
Palavra Aberta |
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| Por Lilian Cunha | |
| 24 de setembro de 2008 | |
![]() Mark Crofton, da SAP-BO Em visita ao Brasil, Mark Crofton, diretor da Business Objects, fala ao Portal Meta-Análise sobre a compra da empresa pela SAP e comenta como os relatórios gerados pelo BI podem ajudar os executivos a tomarem decisões estratégicas.
Em outubro de 2007, a gigante SAP surpreendeu o mercado de TI ao anunciar os planos de adquirir a Business Objects (BO) – transação que foi concluída no início de 2008, por US$ 6,8 bilhões. Desde então, as empresas já lançaram, de forma conjunta, vários pacotes, incluindo gestão de desempenho financeiro e gestão de riscos, governança e compliance. Para intensificar a oferta dessas soluções integradas no País, Mark Crofton, diretor mundial de desenvolvimento de negócios da Business Objects/SAP, visitou algumas cidades brasileiras com o propósito de treinar os partners para conhecer, vender e implementar produtos das duas companhias.
Meta-Análise: Em que estágio está o processo de fusão das operações da BO com as da SAP? Mark Crofton: Globalmente estamos criando pacotes de ofertas completas contendo produtos e soluções das duas empresas. Apesar de cada vez mais próximas, as corporações devem manter sua independência tecnológica. Isso significa que todos os programas da BO continuarão sendo integrados a sistemas de gestão de rivais da SAP, como os da Oracle, por exemplo. Também estamos aposentando produtos sobrepostos e adaptando todo o portfólio da BO à plataforma de aplicativos e integração da SAP, o NetWeaver. Dessa forma, a SAP passa a ser a única companhia no mundo com capacidade para auxiliar o cliente de forma integral, desde o desenho da estratégia até a execução do projeto. Meta-Análise: E no Brasil, quais são os planos da empresa? A SAP está investindo muito na América Latina pois vê na região uma excelente oportunidade de crescimento, especialmente no que concerne ao uso de ferramentas de Business Intelligence (BI). Recentemente fizemos um road show em seis cidades para apresentar as soluções integradas BO/SAP aos executivos da região. No Brasil, que é um dos países mais importantes para a SAP na região, nossa meta é integrar cada vez mais as duas empresas, além de preparar os partners, de ambas companhias, para conhecer, vender e implementar, todos os produtos e soluções tanto da BO, quanto da SAP. Acredito que essa aquisição deva estimular a elevação do nível dos canais da BO em todo o mundo, que se qualificarão cada vez mais para ter acesso à base de clientes SAP, que possui o dobro de usuários da BO – existem 50 mil clientes SAP, contra 25 mil da BO. Desse total de 75 mil usuários, cerca de 30% já utilizava simultaneamente produtos das duas empresas mesmo antes da fusão e agora terá a oportunidade de ter uma solução totalmente integrada. Meta-Análise: Por que a SAP, empresa tradicionalmente focada em softwares de gestão empresarial, decidiu comprar a Business Objects, companhia dedicada a soluções de Business Intelligence? Mark Crofton: Essa aquisição foi uma evolução natural. A SAP é uma empresa muito forte sobretudo na oferta de sistemas Enterprise Resource Planning (ERP) e, em decorrência disso, foi responsável pela geração de um grande volume de dados nas empresas que adquiriram seus softwares. Ao integrar as soluções da BO ao seu portfólio, a SAP dá continuidade à esse processo, passando a tratar e a organizar essas informações. Além disso, o usuário SAP pode alcançar um desempenho superior em seu sistema ERP com o uso de soluções de limpeza da base de dados, como, por exemplo, o Cleansing da Business Objects. Isso se dá porque inconsistências nas listas de dados irão fatalmente impactar a performance e a confiabilidade das respostas fornecidas pelo ERP. Meta-Análise: A SAP aposta então em um aumento da demanda de Business Intelligence? Mark Crofton: Com certeza a demanda por BI irá aumentar, especialmente em países em desenvolvimento, como já vem ocorrendo no Brasil. A partir da compra da BO pela SAP, e da decorrente oferta de soluções da adquirida aos clientes SAP, creio que a demanda por soluções de Business Intelligence aumentará consideravelmente, visto que a gigante alemã tem 50 mil clientes em todo o mundo. Outra razão para o interesse da empresa por BI é que não é mais possível pensar em ERP isolado de BI, pois estamos vivendo uma fase de extrema competitividade em todos os segmentos de mercado e, dessa forma, executivos do mundo inteiro buscam formas de estarem à frente de seus concorrentes para, dessa forma, sobreviverem. E o Business Intelligence é um sistema que gera relatórios capazes de mapear o mercado, os clientes e os concorrentes, auxiliando na tomada de decisões estratégicas. Meta-Análise: Nos últimos anos, a SAP tem investido pesado em clientes de pequeno e médio porte. A compra da BO foi um passo dentro dessa estratégia? Mark Crofton: Sem dúvida. A SAP já consolidou seu espaço no segmento das grandes corporações e agora foca nas pequenas e médias empresas. Sendo assim, a aquisição da BO – que entre as maiores companhias de BI é a que mais atinge esse nicho – aumentou a base total de clientes da empresa justamente nesse filão tão desejado. Meta-Análise: Por que as PMEs se tornaram tão atraentes para as empresas de TI? Mar Crofton: Há várias razões para esse interesse. Como se não bastasse o fato de as pequenas e médias empresas serem as que existem em maior número em todo o mundo, sendo assim um interessantíssimo filão para qualquer mercado, esse segmento está investindo cada vez mais em tecnologia. De acordo com um levantamento realizado pelo IDC, esse segmento responderá, neste ano, por 13% do total de investimentos com TI somente no Brasil. Claro que, a partir daí, não houve como ignorar esse importante grupo, então foi deflagrada uma verdadeira batalha por esses clientes. Primeiro surgiram inúmeras fornecedoras e integradoras especializadas em atender às necessidades das PMEs e, logo depois, as grandes companhias de TI criaram departamentos, ou unidades, responsáveis pelo desenvolvimento de soluções e produtos voltados às pequenas e médias empresas. Com isso, os preços baixaram, e as ferramentas tecnológicas estão se tornando cada vez mais difundidas entre as empresas de pequeno e médio porte, abrindo ainda mais o leque de opções de ofertas para essas companhias. Meta-Análise: Quais são as dificuldades de se trabalhar com as empresas de pequeno e médio porte? Mark Crofton: Em primeiro lugar a limitação financeira. Como essas empresas não contam com os mesmos recursos financeiros e tecnológicos das big companies, o mercado de TI é forçado a desenvolver soluções mais baratas e menos complexas. Por outro lado, as pequenas empresas possuem um menor volume de dados e de colaboradores que manipulam esses dados, o que facilita em muito o trabalho dos desenvolvedores.
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