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Por Marcelo Okano*   
15 de julho de 2009

Para Marcelo Okano – professor de pós-graduação da FIAP – grande parte das pequenas empresas prefere comprar desktops com mais recursos e transformá-los em ‘servidores', motivada pela diferença de preços, o desconhecimento dos gestores sobre os riscos, e da suposição de que nunca acontecerá alguma fatalidade com o seu ‘desktop-servidor'.

Há poucos anos, os servidores eram máquinas enormes, restritas a grandes empresas que podiam pagar por seu elevado preço. Estes grandes computadores rodavam os sistemas corporativos das firmas e ficavam 'protegidos' dentro dos CPDs (Centro de Processamento de Dados).

Este cenário ainda existe nas grandes companhias, mas a evolução da Tecnologia da Informação (TI) e, conseqüentemente, a queda nos preços dos equipamentos de informática mudaram o panorama das pequenas empresas. Atualmente, elas têm acesso a servidores produzidos por fabricantes que utilizam as tecnologias mais recentes; tais como: processadores de 2 ou 4 núcleos, grande quantidade de memória, fontes de alimentação redundantes, discos hot-plug, etc.

Mas, grande parte das pequenas empresas não adquire um servidor. Prefere comprar desktops com mais recursos e transformá-los em “servidores”. Um fato que motiva os empresários a fazer isso é a diferença de preços. Outro é o desconhecimento dos gestores sobre os riscos e a importância de se manter a continuidade dos serviços e a suposição de que nunca acontecerá alguma fatalidade com o seu 'desktop-servidor'.

Se a análise for somente financeira ou se esse for o aspecto que tiver maior peso na decisão, realmente o desktop acaba sendo considerado como opção, pois ele é mais barato. Porém, ele não tem as mesmas características de hardware para manter a disponibilidade dos serviços. Se um determinado componente falhar, todo o computador pára e o serviço fica indisponível, causando grandes transtornos e perdas financeiras.

Veja as principais características de um servidor (que não existem em um desktop):
- Componentes redundantes: Se um elemento - como fonte de tensão, discos ou coolers - falhar, o servidor não pára.
- Hot Plug: Permite a troca de componentes defeituosos sem ter que se desligar a máquina. Ou seja, podem-se efetuar algumas manutenções sem que haja necessidade de se paralisar a prestação de serviços do servidor.
- Maior capacidade de recursos: ao contrário dos desktops, um servidor permite o acesso a uma capacidade maior de memória, de discos e de placas.

Além disso, os servidores são equipados com tecnologias que oferecem melhor desempenho, como por exemplo os processadores Intel Xeon e AMD Opteron, que não estão disponíveis nos desktops. Quanto ao desempenho, a arquitetura interna dos servidores oferece um número maior de processadores que os desktops.

Outro ponto de vital importância é a assistência técnica. Imagine o seguinte cenário: a sua empresa está numa fase que não pode parar e o seu desktop-servidor simplesmente apresenta um defeito e pára. O que fazer?
1- Chamar o conhecido que vendeu o desktop para tentar consertá-lo.
2- Colocar a 'máquina' no carro e levá-la para a assistência técnica.
3- Pedir para o estagiário para 'dar uma olhadinha' para ver se consegue fazer o computador andar...

Claro que essas alternativas são exageradas. Mas o servidor deve ser tratado como um equipamento que deve estar sempre disponível – portanto, deve haver um procedimento sério e profissional para sua manutenção para que se reduza, ao mínimo, a indisponibilidade de seus serviços aos usuários. É importante adequar o contrato de manutenção técnica de acordo com o tipo de funcionamento do servidor. Por exemplo, 24 horas por 7 dias (24X7) para servidores que não podem parar, ou 8 horas por 5 dias (8x5) para servidores que têm que estar disponíveis somente durante o horário comercial. É importante solicitar o atendimento presencial do técnico: as empresas que fabricam desktops dificilmente mantêm uma rede de assistência técnica que trabalha no esquema 24X7 e com atendimento no local.

Se, apesar de tudo, a opção for por um 'desktop-servidor', seguem algumas dicas que podem minimizar os impactos de sua utilização:
1- Analise a criticidade da aplicação que irá rodar nesse tipo de servidor. Algumas não são tão críticas e podem ser instaladas em desktops mais robustos.
2- Um ambiente de alta disponibilidade ou replicação (tal como a utilização de um desktop adicional como backup) pode minimizar os impactos de falhas de um desktop-servidor.
3- Mantenha sempre um backup dos dados.

* Marcelo Tsuguio Okano é Mestre em Administração, professor de pós-graduação em redes da FIAP e consultor de TI para a área de servidores. Trabalha desde 2000 com projetos de virtualização para servidores Unix e Linux, participou de vários projetos de consolidação de servidores na IBM. Possui várias certificações como IBM-AIX, Linux, LPI, dentre outras.


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